O mercado financeiro começou a semana com o sinal de alerta ligado. A edição mais recente do Boletim Focus, divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, trouxe uma mudança relevante no humor dos economistas: a projeção para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026 subiu.
O motivo por trás desse pessimismo tem nome e sobrenome. Os dados mostram que a revisão das expectativas ocorreu majoritariamente na última sexta-feira, dia em que os ativos brasileiros sofreram fortes perdas. O estopim foi o noticiário político, especificamente os rumores de que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria decidido apoiar a candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência da República.
Essa instabilidade política fez o mercado precificar um Banco Central mais cauteloso e conservador para os próximos anos.
O Que Muda nos Juros (Selic)
A pesquisa semanal com os principais agentes do mercado trouxe dois ajustes principais no cenário de juros:
Fim de 2026: A estimativa para a Selic terminal subiu de 12,00% para 12,25%.
Janeiro de 2026: Antes, o mercado esperava um corte de 0,25 ponto percentual na primeira reunião do ano. Agora, a aposta majoritária virou para a manutenção da taxa.
Para o final deste ano (2025), a expectativa segue inalterada em 15,00%. Todas as atenções se voltam agora para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, a última do ano, onde a aposta é que os juros permaneçam onde estão.
Alívio na Inflação e Alta no PIB
Apesar do cenário de juros pressionados, o Boletim Focus trouxe boas notícias em outras frentes.
Inflação (IPCA): As projeções foram revisadas para baixo. Para 2025, a expectativa de inflação caiu de 4,43% para 4,40%. Para 2026, o ajuste foi de 4,17% para 4,16%. Ambos os cenários permanecem dentro da meta oficial (3%, com tolerância até 4,50%).
Crescimento (PIB): Mesmo com os dados fracos do IBGE no terceiro trimestre (alta de apenas 0,1%), os economistas estão mais otimistas com o acumulado do ano. A projeção de crescimento do PIB para 2025 subiu de 2,16% para 2,25%. Para 2026, a estimativa avançou de 1,78% para 1,80%.
Em resumo, o mercado vê uma economia que cresce e uma inflação controlada, mas cobra um prêmio de risco maior nos juros devido às incertezas do cenário político eleitoral que começa a se desenhar.