O Nubank encerrou 2025 com o pé no acelerador, consolidando-se como um gigante que vai muito além de um "roxinho" de cartões de crédito. A holding divulgou nesta semana que seu lucro líquido saltou 50% no quarto trimestre, atingindo a marca de US$ 894,8 milhões.
Para se ter uma ideia da velocidade desse crescimento, no mesmo período do ano anterior, o banco havia registrado pouco mais de US$ 550 milhões. No entanto, o mercado financeiro é conhecido por ser exigente: mesmo com números recordes, as ações da Nu Holdings em Nova York enfrentaram uma queda de 5,5% no pós-mercado. Mas o que explica essa reação mista dos investidores?
O Que Impulsionou o Lucro Recorde?
O segredo do sucesso recente do Nubank reside em uma combinação de fatores estratégicos que o CFO Guilherme Lago detalhou recentemente. A base de clientes não para de crescer, alcançando agora a marca histórica de 131 milhões de usuários no Brasil, México e Colômbia — um aumento de 15% em apenas um ano.
Além de atrair novos rostos, o banco está conseguindo faturar mais com cada cliente ativo. A receita total do trimestre disparou 45%, chegando a US$ 4,86 bilhões. É a prova de que o ecossistema de produtos (empréstimos, seguros e investimentos) está funcionando.
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Por Que as Ações Caíram?
Se o lucro foi tão alto, por que o pessimismo de alguns analistas? Especialistas de bancos como JPMorgan e Citi apontaram alguns pontos de atenção que "ofuscaram" o brilho do resultado:
Questão Tributária: Parte do lucro acima do esperado veio de uma taxa de imposto menor do que o previsto, o que é visto por investidores como um ganho contábil, e não necessariamente operacional.
Custos Operacionais: O custo para manter toda essa estrutura e o "custo do risco" (ligado a possíveis calotes) subiram, gerando cautela.
Inadimplência: Embora a taxa de atrasos acima de 90 dias tenha caído levemente para 6,6%, o banco já avisou que o primeiro trimestre de 2026 deve trazer o tradicional aumento sazonal na inadimplência.
O Próximo Alvo: Estados Unidos
A notícia mais ambiciosa para o longo prazo é a preparação do Nubank para entrar no mercado norte-americano. O CEO David Vélez confirmou que o banco já obteve a primeira das três aprovações regulatórias necessárias para operar nos EUA a partir de 2027.
Apesar de reconhecer que o mercado nos Estados Unidos é extremamente competitivo, Vélez acredita que existem "subáreas" mal atendidas pelos bancos tradicionais americanos, onde o modelo digital e ágil do Nubank pode repetir o sucesso que teve na América Latina.
O Que Isso Significa para o Cliente?
Para quem usa o Nubank no dia a dia, os resultados mostram uma instituição sólida e com capital de sobra para continuar inovando. A expansão da carteira de crédito em 40% indica que o banco continua disposto a emprestar, embora de forma mais criteriosa para controlar os riscos.
O desafio para 2026 será equilibrar esse crescimento acelerado com o controle rigoroso das despesas, provando para Wall Street que o lucro recorde veio para ficar.