A Nova Corrida do Ouro: Brasil Prepara Virada Bilionária com Minerais Estratégicos

 O Brasil está sentado sobre uma mina de ouro — ou melhor, de lítio, cobre e terras raras — mas historicamente falhou em transformar esse potencial geológico em riqueza real. Esse cenário, no entanto, pode estar com os dias contados.

Um novo estudo, fruto de uma parceria técnica entre a Agência Nacional de Mineração (ANM) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que o país está à beira de um "ciclo virtuoso". A combinação de alta nos investimentos estrangeiros e novas regulações governamentais sugere que o Brasil finalmente acordou para a corrida global da transição energética.

O Fim da Estagnação?

Por anos, o setor mineral brasileiro viveu um paradoxo: possui reservas gigantescas dos minerais mais cobiçados do mundo, mas mantinha uma produção tímida. Segundo Mariano Laio, chefe da Divisão de Minerais Críticos da ANM, essa chave começou a virar em 2023.

"Observamos um grande aporte de recursos estrangeiros, especialmente em terras raras, lítio e grafita. Isso indica que estamos saindo do ciclo de baixo investimento para entrar em uma tendência de crescimento", destaca o especialista.


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O Fator China e a Oportunidade Geopolítica

O mundo corre para cumprir as metas do Acordo de Paris, o que disparou a demanda por matérias-primas essenciais para baterias, carros elétricos e turbinas eólicas. Hoje, a China domina essa cadeia, o que preocupa potências como Estados Unidos e Europa.

É aí que o Brasil entra. Rafael Leão, pesquisador do Ipea e coautor do estudo, explica que o Ocidente busca alternativas seguras para reduzir a dependência chinesa. O Brasil, com suas reservas de grande volume, posiciona-se como o candidato ideal para ser esse "hub" de fornecimento global, aliviando a pressão sobre o mercado.

Lições dos Vizinhos: Agregando Valor

O estudo faz um alerta importante: ter minério no chão não basta. É preciso processá-lo. Os pesquisadores comparam o Brasil com casos de sucesso internacional:

  • Chile: Deixou de ser apenas um exportador bruto para se tornar líder global em carbonato de lítio e cátodos de cobre.

  • República Democrática do Congo: Proibiu a exportação de cobalto bruto e viu o valor de suas exportações processadas saltar exponencialmente nas últimas duas décadas.

Enquanto esses países avançavam, o Brasil regrediu entre 2017 e 2022. Mas os dados de 2023 mostram uma reação vigorosa: a produção nacional de lítio dobrou, a de manganês cresceu 52% e a de cobre, 26%.

O Empurrão do Governo e Financiamento

Para sustentar essa retomada, o ambiente regulatório está mudando. O governo tem apostado em decretos que aceleram o licenciamento ambiental para minerais estratégicos e discute no Congresso uma Política Nacional específica para o setor.

O dinheiro também começou a aparecer. BNDES e FINEP disponibilizaram cerca de R$ 5 bilhões em linhas de crédito para projetos que vão da extração à reciclagem. Além disso, o Ministério de Minas e Energia regulamentou debêntures incentivadas, permitindo que empresas captem recursos no mercado com benefícios fiscais para investir na transformação mineral.

A conclusão do estudo é cautelosa, mas otimista: se o ciclo de investimentos se mantiver, o Brasil tem tudo para deixar de ser um "gigante adormecido" e assumir o protagonismo na nova economia verde.

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