Dólar Rompe os R$ 5,50: Tensão Política e Cenário Externo Impulsionam a 4ª Alta Seguida

 O mercado cambial brasileiro viveu mais um dia de estresse nesta quarta-feira (17/12). O dólar à vista não apenas subiu pelo quarto dia consecutivo, como também rompeu com força a barreira psicológica dos R$ 5,50, encerrando o pregão com uma alta expressiva de 1,07%, cotado a R$ 5,5223.

Durante o dia, a moeda norte-americana chegou a bater a máxima de R$ 5,5320, acompanhando o mau humor generalizado que derrubou o Ibovespa e fez as taxas de juros futuros dispararem. Mas o que está por trás dessa nova escalada? A resposta combina ruídos vindos de Brasília com a força da moeda no exterior.



O "Fantasma" das Eleições de 2026

No cenário interno, o driver principal foi a política. O mercado reagiu mal à divulgação de novas pesquisas e aos bastidores de Brasília que antecipam o cenário eleitoral de 2026.

A leitura predominante entre os investidores é que uma eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro poderia dividir o eleitorado de direita e enfraquecer um nome considerado mais "pró-mercado". Na visão dos analistas, essa fragmentação aumentaria as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa percepção de risco político, somada a tentativas de aproximação de Flávio com a Faria Lima, gerou um movimento de busca por proteção (hedge), pressionando a compra de dólares e a venda de ativos de risco brasileiros.

Pressão Externa: O Fed e a Libra

O Brasil não está sozinho nessa desvalorização. Lá fora, o dólar também ganhou terreno frente a outras moedas fortes. O índice DXY, que mede a força da divisa americana, subiu 0,17%.

O motivo segue sendo a cautela com a política monetária dos Estados Unidos. O mercado monitora cada fala de integrantes do Federal Reserve (Fed) em busca de pistas sobre o ritmo de cortes de juros. Juros altos nos EUA atraem capital para lá, fortalecendo o dólar globalmente.

Além disso, a moeda americana se valorizou especificamente contra a libra esterlina, já que o mercado aposta que o Banco da Inglaterra cortará seus juros nesta quinta-feira (18), o que diminui a atratividade da moeda britânica.

Visão de Longo Prazo e Mercado Futuro

Apesar do susto recente e da volta aos R$ 5,50, é importante olhar o cenário macro. No acumulado de 2025, o dólar ainda registra uma queda de 10,63%. Isso sugere que, por enquanto, o movimento é uma correção pontual e conjuntural, e não necessariamente uma inversão de tendência estrutural.

Um sinal disso veio do mercado futuro. Enquanto o dólar à vista subiu mais de 1%, o contrato futuro para janeiro (o mais negociado na B3) teve uma alta bem mais modesta, de apenas 0,13%, cotado a R$ 5,5350 no fim da tarde.

Essa discrepância indica que, embora haja uma demanda urgente por dólares hoje devido ao risco político imediato, os investidores ainda não estão precificando um cenário de catástrofe cambial para os próximos meses.


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