Reciclagem e Reuso: Petrobras Define Futuro de 4 Plataformas Gigantes da Bacia de Campos

 A Petrobras definiu o destino de quatro de suas "veteranas" que operaram por mais de duas décadas no campo de Marlim, na Bacia de Campos. Em um movimento estratégico que mistura sustentabilidade com redução de custos, a estatal decidiu dividir o lote: duas unidades serão reformadas para continuar operando (P-35 e P-37) e outras duas serão totalmente leiloadas para virar sucata (P-19 e P-26).

A decisão reflete uma mudança de diretriz na gestão de Magda Chambriard, que busca alternativas ao simples descarte para aliviar os custos bilionários das filas de descomissionamento.



Vida Nova para a P-35 e P-37

O plano para as plataformas P-35 e P-37 é um exemplo de economia circular industrial. A Petrobras lançou um edital para "salvar" os cascos dessas embarcações. O processo envolve:

  1. Limpeza: Remoção de todo o "topside" (a planta de processamento de petróleo que fica na parte superior).

  2. Venda de Sucata: O material retirado do topo, muito cobiçado pelas siderúrgicas para uso em fornos, será vendido.

  3. Reutilização: O casco vazio será preparado para receber equipamentos modernos e ser realocado em novos campos.

Técnicos da companhia, liderados pela diretoria de Engenharia, já estudam onde esses navios renovados serão usados. Entre as possibilidades estão os projetos de Barracuda-Caratinga, Marlim Sul, Marlim Leste e Parque das Baleias. As propostas das empresas interessadas em realizar esse serviço de engenharia serão conhecidas em 10 de fevereiro.

Leilão de 40 Mil Toneladas de Aço

Já para as plataformas P-19 e P-26, o destino é a reciclagem sustentável integral. A Petrobras anunciou que venderá as unidades separadamente, o que deve injetar cerca de 40 mil toneladas de aço no mercado nacional.

  • P-26: Já está aguardando no Porto do Açu (RJ).

  • P-19: Segue ancorada no Campo de Marlim.

O leilão, previsto para ocorrer na fase de lances em fevereiro de 2026, é voltado para estaleiros e empresas de reciclagem com operação no Brasil.

Novas Regras Facilitam o Negócio

Aprendendo com experiências passadas — como a venda das plataformas P-32 e P-33 para a Gerdau —, a Petrobras flexibilizou as regras para tornar este leilão mais atrativo.

A principal inovação é técnica: agora, o desmantelamento poderá ser feito em solo impermeável, e não obrigatoriamente em um dique seco (uma estrutura mais cara e escassa), como era exigido anteriormente. Além disso, o comprador terá permissão para realizar um pré-desmantelamento e decidir sobre o acostamento da unidade.

Segundo a estatal, essas mudanças mantêm o rigor com a segurança e o meio ambiente, mas destravam gargalos operacionais que dificultavam a venda desses ativos gigantescos.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem

Formulário de contato